Delas.pt – líbidos diferentes

Este blog anda a banhos mas há sempre tempo para coisas boas.

Quem já esteve numa relação sabe o que todos temos pudor de admitir e reconhece uma verdade que só alguns têm coragem para assumir: os membros do casal não têm a mesma libido. É um facto, está provado, mas, ainda assim, em início de paixão fulgurante, fingimos ou esquecemo-nos de que é assim e convencemo-nos que a força e a febre sexuais dos primeiros tempos se vai manter para sempre. Não vai. E está na altura de enfrentar o assunto.

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Delas.pt – dogging

Sobre dogging, no Delas.pt.

Quem é amiga, quem é, que vos traz coisas bonitas logo pela manhã?

Nascida em Inglaterra na década de 70, o nome desta prática, ao contrário do que possa induzir a palavra, não tem especificamente a ver com o dog, o cão, mas com o facto de os mesmos poderem ter sexo na rua, o que, no fundo, é o ponto essencial do dogging . Se ultrapassarmos o estrangeirismo, o dogging é a prática pública de sexo consentido, dentro do carro, com uma ou mais pessoas a ver, normalmente enquanto se masturbam. Ao exibicionismo junta-se o voyeurismo. Combina-se o prazer de fazer com o prazer de observar, ruma-se a um parque ou lugar isolado ou de pouco movimento, e eis que o dogging se dá em todo o seu esplendor. Diz quem sabe que o prazer sexual se intensifica pelos pares de olhos que observam de perto através do vidro do carro, gerando mais excitação.

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Delas.pt – Cadê você, Ponto G?

Será que ele existe?

Como em tanta coisa na sexualidade, sobretudo feminina, as dúvidas existem e devem ser consideradas. Mas o facto de os estudos feitos não contemplarem mulheres até bastante tarde faz com que muito pouco se saiba sobre o modo como as mulheres respondem aos vários estímulos. Naturalmente, não ajuda que, como sociedade, tenhamos uma quase obsessão pouco saudável pelo lado performativo do sexo, esquecendo o desejo, o erotismo e tantas outras razões que o tornam rico e colorido.

Mais em delas.pt.

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Delas.pt – Bissexuais, nós?

Já saiu mais um artigo no Delas.pt

Seremos todas bissexuais?

Seremos todos bissexuais? O que se sabe e se observa é que há uma certa cultura pop que amplifica a bissexualidade como uma orientação válida e fora da penumbra do preconceito. Desde Katy Perry que canta ter gostado de beijar uma mulher ou a atração por mulheres assumida por Angelina Jolie, passando pela ambivalência sexual de Lou Reed, os tempos modernos parecem aceitar que a bissexualidade não apenas existe como está aí de pedra e cal. Se isso tem paralelo nos meios académicos e laboratórios de ciências sociais, ainda está para se ver. Mas o que sabemos, até agora, é que a orientação sexual de cada um está ligada ao modo como nos identificamos a cada momento. Se isso nasce connosco ou se é apreendido ao longo da vida, ainda está para ser provado.

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Masturbai-vos e ide em paz

Artigo originalmente escrito para o Delas.pt

Por muito modernas que gostemos de nos considerar, por muito caminho que a sexualidade feminina já tenha palmilhado, a verdade é que, até não há muito tempo, qualquer prática sexual que não tivesse o fito da procriação era vista como uma forma máxima de luxúria ou, no limite, de aberração. Pouco a pouco, os tabus vão caindo, o Homem sonha, o mundo pula e avança, e nós, mulheres, vamos podendo, finalmente, viver a nossa sexualidade como nos apetece. Ou será que não?

Tal como muitas outras facetas da sexualidade humana, a masturbação é um tabu e uma barreira difícil de transpor e normalizar. Sobretudo, se a mão que embala o (nosso) berço for delicada e feminina, isto porque, aqui d’el rei!, nos proteja a todos do vislumbre do prazer de uma mulher. E isto é tanto mais ridículo conquanto é uma ideia partilhada por ambos os sexos. Os homens, porque têm uma sexualidade infantilizada; as mulheres, porque são educadas na culpa e no pecado. E assim ficam todas as outras mulheres, mais livres ou menos atreitas ao juízo alheio, mas, sobretudo, mais escrutinadas e alvo de crítica.

E esse julgamento nem sempre é direto, objetivo. Muitas vezes ele chega-nos da cultura popular que nos rodeia. Vejamos o cinema. Quem se lembra do filme ‘Jovem procura companheira’, do início dos anos 90, em que a personagem retratada como estranha passa a ter uma moral questionável quando é vista num momento masturbatório? Também no filme ‘Corpo de Delito’, a cantora Madonna, atriz principal, é representada como uma mulher fatal, amante de um homem muito rico que morre enquanto tem sexo com ela. A cena em que ela se masturba serve o propósito de mostrar o poder sexual daquela mulher, que pode até chegar a matar. Isto, sem esquecer o ‘Cisne Negro’, em que Nina se masturba como forma de aceder ao seu lado mais cru e sedutor, necessário para a performance no espetáculo. E claro, o clássico ‘Exorcista’, em que a cena onanista de Blair é a prova cabal que está possuída pelo Diabo.

Posto isto, e todo o jugo moral que existe no olhar dos outros, que mulher quer assumir que se masturba? É que a mensagem que recebemos é clara: a masturbação é perversa e as boas meninas não se tocam. E as que o fazem, quem sabe que outros desvios escondem aqueles corpos e mãos sem pudícia? O modo como se liga a moral ao auto-erotismo feminino reveste a masturbação de uma vergonha que ela não pode ter. Somos entupidas de mensagens subliminares truncadas em filmes, livros, músicas e uma série de registos de cultura popular, na qual o conforto que sentimos com o nosso corpo e na nossa sexualidade é visto como uma ofensa e uma afronta aos delicados valores masculinos.

41 anos depois da revolução que nos trouxe a liberdade, onde anda a independência sexual feminina? A que nos deixa livres para ser e fazer como quisermos, como nos sentirmos melhor, como melhor nos representa? Não falo de consentimento alheio. Felizmente, e apesar dos pesares, deste lado do mundo a vida não nos é tirada porque decidirmos masturbar-nos ou ter sexo casual. Falo da independência de cada uma de nós, mulheres, face ao que é esperado, isso sim, ainda do tempo da outra senhora. Falo de encontrar o nosso erotismo e não esperar que ele nos seja trazido por um parceiro. A ideia que está subjacente à masturbação é a de que nos permitimos ter prazer sem que isso implique a existência do outro. Que não é a mesma coisa que dizer que só as pessoas sem parceiro se masturbam.

É por isto que um dia destes alguém devia criar um movimento de mulheres sexualmente independentes, as que estão de si para si sem que isso implique uma rejeição dos outros e pelos outros. Quem se chega a frente?

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