CR&ME

Uma das maiores batalhas da minha vida é a tentativa diária de não me tornar cínica. Esforço-me muito para não me deixar cair nesse poço sem fundo que é a indiferença perante o mundo, as pessoas e eu mesma. Na maior parte dos dias consigo ser tocada pelo mais pequenos e invisível dos gestos, mas este escudo que, algures no tempo, encontrei para me proteger da dor faz com que, tantas e tantas vezes, me esqueça de engolir a beleza do que me rodeia.

Perdidas no mundo existem (poucas) pessoas que, num estalar de dedos, me tiram da apatia cínica em que às vezes caio. Uma delas é o Cristiano Ronaldo. Um tipo que, na minha fantasia infantil, é tudo de bom. Admiro-lhe aquilo que não vejo em mim, sobretudo uma crença e uma vontade férreas, inabaláveis, inexpugnáveis e imunes ao cinismo que me cobre.

E agora uma confissão: quando às vezes sinto a cabeça enfiada no buraco onde habita a terrível noção de que sou auto-suficiente e imune aos outros, pergunto-me “o que faria Cristiano Ronaldo?” E depois imagino-lhe passos e atitudes, todas elas boas, não imunes ao erro, mas propulsoras de caminho e avanço.

A força mental deste super homem, cujo início de vida quase lhe ditava o destino, é das coisas que mais me fascinam e intrigam na vida. O que é que pensa quando está triste? Como se motiva quando precisa de força? Como vive a pressão da sua vida? Quando o vejo e ouço –  inabalável na vontade, imperturbável na crença, uma força rara, nos gestos, nas palavras, no carácter – fico subitamente mais forte. E tenho o raro, raríssimo, pensamento: se ele pode, eu também posso.

Obrigada, Cristiano.