42

Não sei para onde é que o tempo levou os demónios mais negros mas sei que o que ficou nesse lugar foi uma força e uma crença na vida tão grandes que, aos 42, me sinto com a força de mil Homens.

Hoje é o melhor dia do ano. Foda-se, hoje faço 42 e estou melhor do que nunca.

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Delas.pt – Cadê você, Ponto G?

Será que ele existe?

Como em tanta coisa na sexualidade, sobretudo feminina, as dúvidas existem e devem ser consideradas. Mas o facto de os estudos feitos não contemplarem mulheres até bastante tarde faz com que muito pouco se saiba sobre o modo como as mulheres respondem aos vários estímulos. Naturalmente, não ajuda que, como sociedade, tenhamos uma quase obsessão pouco saudável pelo lado performativo do sexo, esquecendo o desejo, o erotismo e tantas outras razões que o tornam rico e colorido.

Mais em delas.pt.

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Delas.pt – Bissexuais, nós?

Já saiu mais um artigo no Delas.pt

Seremos todas bissexuais?

Seremos todos bissexuais? O que se sabe e se observa é que há uma certa cultura pop que amplifica a bissexualidade como uma orientação válida e fora da penumbra do preconceito. Desde Katy Perry que canta ter gostado de beijar uma mulher ou a atração por mulheres assumida por Angelina Jolie, passando pela ambivalência sexual de Lou Reed, os tempos modernos parecem aceitar que a bissexualidade não apenas existe como está aí de pedra e cal. Se isso tem paralelo nos meios académicos e laboratórios de ciências sociais, ainda está para se ver. Mas o que sabemos, até agora, é que a orientação sexual de cada um está ligada ao modo como nos identificamos a cada momento. Se isso nasce connosco ou se é apreendido ao longo da vida, ainda está para ser provado.

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Coaching, I´m back!

Depois de uns tempos ausente, estou de volta a uma das coisas que mais gosto de fazer: as sessões individuais de coaching. Por isso, para quem me manda mails a perguntar o que é e como se faz, aqui fica um pequeno Q&A:

O que é o coaching?

É uma ferramenta prática de produtividade e desenvolvimento que serve para ajudar a pensar sobre um objetivo específico que se quer atingir. Um coach é alguém que ajuda o seu cliente a chegar a esse objectivo.

Coaching é o mesmo que terapia?

Não. Apesar de no formato individual a coisa ser parecida – porque estão duas pessoas, frente a frente – o coaching está focado na solução e no presente, e ajuda o cliente a fazer bem o que faz menos bem, ou a fazer melhor o que já faz bem.

Coaching é dar conselhos?

Nunca. E se encontrarem alguém assim, fujam. O coach é parceiro do seu cliente, não está nem à frente (não sabe mais do que ele, não analisa, não infere), nem atrás. Ouve e faz perguntas (usando técnicas de coaching e PNL) e com isso ajuda o cliente a desbloquear e a melhor pensar sobre o que deseja. Não se dão conselhos, não se indicam caminhos, ajuda-se a pensar e que seja o cliente a descobrir o seu caminho.

O life coaching é a mesma coisa que executive coaching?

Sim. Todas as questões têm uma raiz pessoal, mesmo os objectivos profissionais que traçamos para nós mesmos, pelo que tudo é coaching. Não distingo as áreas.

Como faço para marcar uma sessão de coaching?

Envia um email para eu@silviabaptista.com e vemos disponibilidades de agenda. Caso exista, o consultório fica na Rua Ferreira Lapa, 32 – 3º esquerdo (na zona do Conde Redondo)

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🙂

 

Masturbai-vos e ide em paz

Artigo originalmente escrito para o Delas.pt

Por muito modernas que gostemos de nos considerar, por muito caminho que a sexualidade feminina já tenha palmilhado, a verdade é que, até não há muito tempo, qualquer prática sexual que não tivesse o fito da procriação era vista como uma forma máxima de luxúria ou, no limite, de aberração. Pouco a pouco, os tabus vão caindo, o Homem sonha, o mundo pula e avança, e nós, mulheres, vamos podendo, finalmente, viver a nossa sexualidade como nos apetece. Ou será que não?

Tal como muitas outras facetas da sexualidade humana, a masturbação é um tabu e uma barreira difícil de transpor e normalizar. Sobretudo, se a mão que embala o (nosso) berço for delicada e feminina, isto porque, aqui d’el rei!, nos proteja a todos do vislumbre do prazer de uma mulher. E isto é tanto mais ridículo conquanto é uma ideia partilhada por ambos os sexos. Os homens, porque têm uma sexualidade infantilizada; as mulheres, porque são educadas na culpa e no pecado. E assim ficam todas as outras mulheres, mais livres ou menos atreitas ao juízo alheio, mas, sobretudo, mais escrutinadas e alvo de crítica.

E esse julgamento nem sempre é direto, objetivo. Muitas vezes ele chega-nos da cultura popular que nos rodeia. Vejamos o cinema. Quem se lembra do filme ‘Jovem procura companheira’, do início dos anos 90, em que a personagem retratada como estranha passa a ter uma moral questionável quando é vista num momento masturbatório? Também no filme ‘Corpo de Delito’, a cantora Madonna, atriz principal, é representada como uma mulher fatal, amante de um homem muito rico que morre enquanto tem sexo com ela. A cena em que ela se masturba serve o propósito de mostrar o poder sexual daquela mulher, que pode até chegar a matar. Isto, sem esquecer o ‘Cisne Negro’, em que Nina se masturba como forma de aceder ao seu lado mais cru e sedutor, necessário para a performance no espetáculo. E claro, o clássico ‘Exorcista’, em que a cena onanista de Blair é a prova cabal que está possuída pelo Diabo.

Posto isto, e todo o jugo moral que existe no olhar dos outros, que mulher quer assumir que se masturba? É que a mensagem que recebemos é clara: a masturbação é perversa e as boas meninas não se tocam. E as que o fazem, quem sabe que outros desvios escondem aqueles corpos e mãos sem pudícia? O modo como se liga a moral ao auto-erotismo feminino reveste a masturbação de uma vergonha que ela não pode ter. Somos entupidas de mensagens subliminares truncadas em filmes, livros, músicas e uma série de registos de cultura popular, na qual o conforto que sentimos com o nosso corpo e na nossa sexualidade é visto como uma ofensa e uma afronta aos delicados valores masculinos.

41 anos depois da revolução que nos trouxe a liberdade, onde anda a independência sexual feminina? A que nos deixa livres para ser e fazer como quisermos, como nos sentirmos melhor, como melhor nos representa? Não falo de consentimento alheio. Felizmente, e apesar dos pesares, deste lado do mundo a vida não nos é tirada porque decidirmos masturbar-nos ou ter sexo casual. Falo da independência de cada uma de nós, mulheres, face ao que é esperado, isso sim, ainda do tempo da outra senhora. Falo de encontrar o nosso erotismo e não esperar que ele nos seja trazido por um parceiro. A ideia que está subjacente à masturbação é a de que nos permitimos ter prazer sem que isso implique a existência do outro. Que não é a mesma coisa que dizer que só as pessoas sem parceiro se masturbam.

É por isto que um dia destes alguém devia criar um movimento de mulheres sexualmente independentes, as que estão de si para si sem que isso implique uma rejeição dos outros e pelos outros. Quem se chega a frente?

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Ide-vos

Há merdas nas redes sociais e na blogosfera que me tiram do sério. Parece que hoje já não se pode partilhar e recomendar nada – produto, serviço, ideia – que acusam logo de estarmos a ganhar dinheiro à custa dos outros. Não é o meu caso, mas é o de algumas bloggers que vivem, e bem, do que aconselham, sendo ou não pagas para o fazer.

Pergunto: qual é o problema? Onde é que fica o espírito crítico de quem vê? Se eu sugerir que comam  uma poia, que é a melhor poia do mundo, castanhinha e boa como só as poias de qualidade sabem ser, quem é que é obrigado a comê-la? Raisparta os chorões cibernéticos, sempre prontos a aniquilar o pensamento, o seu, e a dar cabo do pensamento dos outros.

E só cá por coisas minhas, aqui fica a página do Mário Sá, que é a pessoa que me vai deixar saudável outra vez. Se lhe pago ou não, é da minha conta e da minha carteira. A qualidade do Mário não está ao serviço de ideias de merda nem dos pobres de espírito. Ide-vos.

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Vernacularmente falando

De todas as (muitas) reações que tenho tido a este livro, várias são as de pessoas que se escandalizam e ofendem com o uso que dou ao vernáculo. Reparem que eu escrevi “ofendem”, não referi “discordam”. Porque se fosse o caso de não concordarem comigo, contrapondo ou não ideias diferentes, isso era coisa para eu aplaudir de pé. Mas não, há pessoas que, genuinamente, se ofendem com o uso que outras, que não conhecem, dão a palavras em livros que não leram. Extraordinário.

Esta manhã, numa belíssima entrevista ao site Delas.pt, o assunto foi, de novo abordado. Porquê a escolha do vernáculo quando o assunto é sexo? Porque, na verdade, tenho em mim um camionista alegre, que caralha como se a vida dependesse disso. Logo, não fazia sentido que o livro fosse escrito de forma diferente. Depois, porque acredito que não existem palavras que tomem o lugar de uma boa caralhada, metida no tempo e espaço certos. O trabalho mais minucioso que tive neste livro foi o de perceber, a cada shot vernacular, se ele fazia sentido, se estava a mais, se tinha sido escrito no embalo. Uns sim, outros não. Feita a revisão, justificam-se todas as palavras que lá estão, mesmo que as aquecem almas sensíveis.

O que chateia nisto não são as ofensas. Há muito que as relevo. O que me fode é esta incapacidade de se ver além da forma para se poder discutir o conteúdo. Discordam de uma ideia peregrina que alvitrei em determinado artigo? Escrevam-me. Acham o livro poucochinho e querem rebater alguns pontos? Escrevam-me. Querem dizer-me que acham que estes temas não têm cabimento? Escrevam-me. Mas, pelo amor da santinha do pau oco, se é para me dizerem que se ofendem porque existe uma piça que vos faz cócegas no ego, poupem-me. Ide indignar-vos para outra freguesia e usem essa energia para outras actividades mais proveitosas. Como, por exemplo, foder.

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