Vinde, vinde!

A verdade é que há quem ache que um workshop de sexualidade e relações amorosas é uma coisa de somenos, de gente que não tem o que fazer. Como se o sexo fosse uma coisa que só pode ser feita e nunca falada, pensada. Como se fossemos todos muito versados no tema, educados desde pequenos a estarmos atentos ao nosso corpo e a tratar dele também neste campo. Se tantas vezes não conseguimos passar aos outros a mais simples das mensagens, por que razão seria fácil ou inútil aprender a comunicar ao parceiro tudo o que gostamos ou nos incomoda?

Vocês até podem ser de um tempo em que estas coisas não eram faladas mas não há como ignorar a sua importância e pertinência, numa altura em que se verbaliza tanto e se diz tão pouco.

Em querendo aparecer, são para lá de bem vindas. Mais info, por email.

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Novo workshop

Ando há demasiado tempo a adiar aquilo que mais gosto de fazer e decidi que isso não faz sentido algum. Adoro, mas gosto mesmo, dos dias de workshops. Gosto da sensação de não saber quem entra pela porta, de não fazer ideia do que trazem e ao que vêm. No próximo dia 4 de fevereiro vou dar início a um novo workshop, chamado “Em minha casa ou na tua?”, tal como o livro que o precedeu. E chamo-lhe workshop porque apesar de o ambiente ser informal, o que se pede é pensamento, partilha e trabalho. Vai versar sobre relações, ou, se quiserem, sobre a relação primeira, primordial, que é a que temos connosco. Vai-se falar, e muito, sobre sexualidade, embora não se espere partilhas de façanhas e conquistas sexuais.

Vai haver conversa, exercícios (escritos), galhofa, e o objectivo é que consigamos sair todas com menos nós na cabeça no que respeita ao modo como somos e estamos nesta complexa teia de relações, sobretudo mas não só, sexuais.

De maneiras que lá vos espero, no dia 4 de fevereiro, na “Garagem” (Rua Fialho de Almeida, 1F – Bairro Azul – ao lado do El Corte Inglès), das 14h às 19H30. Para outras informações (como o preço, por exemplo), por favor enviar email para eu@silviabaptista.com

Vinde, vinde. Até porque, como diz a imagem aqui em baixo, “there are more strings to your bow.”

PS. para já, este workshop está reservado apenas a mulheres.

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Prego a fundo

Não tenho resoluções de ano novo, só vontade, necessidade e muito cansaço. E não tenho resoluções porque isso implica que o Ano Novo é a única altura certa para mudanças, o que é mentira. Também podia elaborar sobre as coisas que quero para mim mas já estou farta de falar (e escrever) e agora é tempo de agir. Assim que me passar a miúfa de ter que fazer coisas que não quero nem gosto mas que, vejo, serem um caminho para outras maiores, passarei a contar os meus feitos. Até lá, continuarei a tentar sem enumerar pequenas vitórias, pequenos nada new age que, parecendo que não, só nos deixam mais lentos e a amargurar no mesmo sítio.

Cansei-me das tais pequenas vitórias. Cansei-me dos manuais de auto-ajuda. Cansei-me de ser eu nesse registo. Deixem-me passar, que eu estou pronta para o prego a fundo.

Bring it on 2017.

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Lunar

Um dos perigos da era moderna é esta imposição de felicidade. A tristeza, a zanga, a raiva, todas elas emoções que nos servem tantas vezes de espelho ao que nos leva tristes, deram lugar a uma alegria bacoca e editada que nos forçamos a sentir.

Não eu. Não hoje. E não aqui. Porque não me faltam a zanga com o mundo, a raiva que sinto de alguns outros e a tristeza que aparece por me sentir assim. Reconheço bem estes sintomas. São pedaços da minha natureza que se manifestam de cada vez que sinto a injustiça a rondar-me a vida e o controlo (que sei não existir mas cuja aparência preciso como do pão para a boca) a fugir-me por entre os dedos.

E sempre que a vida me traz até aqui, há um negrume que me sai das entranhas e desvenda o animal raivoso que sou, lá fundo. Torno-me irracional, violenta, feia. Tenho de fazer um esforço consciente para me lembrar que sou humana, para convocar a bondade que sei também ter, e engolir a mágoa e as zangas que me acompanham nestes dias mais sombrios.

Tenho também de me disciplinar a não usar o chicote que tenho sempre apontado ao meu próprio lombo e lembrar-me, a todas as horas do dia, que sou apenas uma pessoa. Não tem mal estar triste. Não tem mal sentir coisas feias e assustadoras. O que tem mal é fingirmos que engolimos o sol quando estamos em profundo e completo estado lunar.

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Revenge Porn – Delas.pt

Quem nunca enviou uma foto desnuda a alguém que mal conhece, que atire a primeira pedra. Para ler mais, em Delas.pt. 

“Tudo começa com uma mensagem de flirt , que puxa outra mais explícita, que faz nascer uma foto mais ousada e, quando se dá pela coisa, já circulam imagens de corpos nus e vídeos de sexo caseiro sem que um dos interlocutores saiba. Normalmente, é a mulher o interlocutor que desconhece que a sua intimidade não é assim tão íntima. Chama-se a isto revenge porn, ou pornografia de vingança, numa tradução livre. E acontece quando um dos membros que antes se deleitava com este jogo erótico se cansa das regras e as altera sem avisar. As imagens são rapidamente distribuídas online, postadas em fóruns e outros buracos da internet para gáudio de quem vê e comenta e, sobretudo, da mão que carregou no play.”

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42

Não sei para onde é que o tempo levou os demónios mais negros mas sei que o que ficou nesse lugar foi uma força e uma crença na vida tão grandes que, aos 42, me sinto com a força de mil Homens.

Hoje é o melhor dia do ano. Foda-se, hoje faço 42 e estou melhor do que nunca.

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Delas.pt – líbidos diferentes

Este blog anda a banhos mas há sempre tempo para coisas boas.

Quem já esteve numa relação sabe o que todos temos pudor de admitir e reconhece uma verdade que só alguns têm coragem para assumir: os membros do casal não têm a mesma libido. É um facto, está provado, mas, ainda assim, em início de paixão fulgurante, fingimos ou esquecemo-nos de que é assim e convencemo-nos que a força e a febre sexuais dos primeiros tempos se vai manter para sempre. Não vai. E está na altura de enfrentar o assunto.

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Delas.pt – dogging

Sobre dogging, no Delas.pt.

Quem é amiga, quem é, que vos traz coisas bonitas logo pela manhã?

Nascida em Inglaterra na década de 70, o nome desta prática, ao contrário do que possa induzir a palavra, não tem especificamente a ver com o dog, o cão, mas com o facto de os mesmos poderem ter sexo na rua, o que, no fundo, é o ponto essencial do dogging . Se ultrapassarmos o estrangeirismo, o dogging é a prática pública de sexo consentido, dentro do carro, com uma ou mais pessoas a ver, normalmente enquanto se masturbam. Ao exibicionismo junta-se o voyeurismo. Combina-se o prazer de fazer com o prazer de observar, ruma-se a um parque ou lugar isolado ou de pouco movimento, e eis que o dogging se dá em todo o seu esplendor. Diz quem sabe que o prazer sexual se intensifica pelos pares de olhos que observam de perto através do vidro do carro, gerando mais excitação.

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CR&ME

Uma das maiores batalhas da minha vida é a tentativa diária de não me tornar cínica. Esforço-me muito para não me deixar cair nesse poço sem fundo que é a indiferença perante o mundo, as pessoas e eu mesma. Na maior parte dos dias consigo ser tocada pelo mais pequenos e invisível dos gestos, mas este escudo que, algures no tempo, encontrei para me proteger da dor faz com que, tantas e tantas vezes, me esqueça de engolir a beleza do que me rodeia.

Perdidas no mundo existem (poucas) pessoas que, num estalar de dedos, me tiram da apatia cínica em que às vezes caio. Uma delas é o Cristiano Ronaldo. Um tipo que, na minha fantasia infantil, é tudo de bom. Admiro-lhe aquilo que não vejo em mim, sobretudo uma crença e uma vontade férreas, inabaláveis, inexpugnáveis e imunes ao cinismo que me cobre.

E agora uma confissão: quando às vezes sinto a cabeça enfiada no buraco onde habita a terrível noção de que sou auto-suficiente e imune aos outros, pergunto-me “o que faria Cristiano Ronaldo?” E depois imagino-lhe passos e atitudes, todas elas boas, não imunes ao erro, mas propulsoras de caminho e avanço.

A força mental deste super homem, cujo início de vida quase lhe ditava o destino, é das coisas que mais me fascinam e intrigam na vida. O que é que pensa quando está triste? Como se motiva quando precisa de força? Como vive a pressão da sua vida? Quando o vejo e ouço –  inabalável na vontade, imperturbável na crença, uma força rara, nos gestos, nas palavras, no carácter – fico subitamente mais forte. E tenho o raro, raríssimo, pensamento: se ele pode, eu também posso.

Obrigada, Cristiano.